Waldemar Niclevicz, Marcelo Santos e Irivan Burda no cume do Illampu, Bolivia.
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A CORDILHEIRA DOS ANDES

 

Por Waldemar Niclevicz

 

Explorar a Cordilheira dos Andes, hoje ou há cinco séculos atrás, é como realizar uma descoberta que abre a alma ao universo. A maior cadeia de montanhas das Américas alcança dimensões planetárias, não apenas por seus dramáticos acidentes naturais, mas também pelas obras humanas que ali surgiram, formando um mundo imponente, que merece o mesmo respeito que a grandeza de suas montanhas. Na Cordilheira dos Andes se uniram - como poucas vezes na história - a grandiosidade da natureza e a grandiosidade das culturas.

 

Na Cordilheira dos Andes, entre algumas das montanhas mais altas da Terra, surgiram cidades que parecem construídas por gigantes, cujas ruínas guardam o mistério de sua origem. Nos Andes ainda ressoa a voz mais funda da terra, que fala com severidade dos velhos deuses através de seus vulcões. Um lugar onde voa em perpétua solidão o magnífico condor, as árvores têm raízes mais profundas e até o coração do homem é maior, para poder viver com o ar rarefeito das montanhas.

 

Rios e lagos de águas puríssimas refletem o céu andino, e em suas margens ainda se agrupam povos que foram grandes entre tanta grandeza.

 

Nos Andes se desenvolveram civilizações muito avançadas, como a Chavin e a Chimu, que em alguns aspectos superavam o nível de conhecimento dos europeus quando estes chegaram a América. Tais culturas antigas construíram misteriosas cidades, como Tiwanaku, que impressionam o visitante com a majestade de seus templos, palácios e pirâmides.

 

A mais notável de todas as civilizações foi a dos Incas, que se consolidou no século XIII na região de Cusco, no Peru. Na época de seu maior desenvolvimento, pouco antes do desembarque dos espanhóis na América, o Império Inca compreendia desde o sul do que é hoje a Colômbia até o centro do Chile, e contava com mais de dez milhões de habitantes. Nada é tão impressionante como as ruínas de Machu Picchu, que parecem ainda hoje esconder muitos segredos. "Aqui o rio foge da gélida meseta abrindo rumo através de gigantescas montanhas de granito. O caminho corre por uma terra de incomparável encanto" - escreveu o alpinista Hiram Bingham, que descobriu a Cidade Sagrada em 1911. "Na variedade de sua beleza e no poder de sua construção, não conheço outro lugar no mundo a que se possa comparar" - concluiu.

 

As palavras emocionadas do alpinista Hiram Bingham expressam, sem dúvida, a impressão do viajante ao se enfrentar com muitos dos grandes lugares que o aguardam nos Andes, quer seja na Venezuela, Colômbia ou Equador, Peru ou Bolívia, Chile ou Argentina. A grande coluna vertebral da América, onde a terra parece se encontrar com o céu está cheia de passagens estreitas e escarpadas que se estendem entre as abruptas montanhas.

 

Recorrer as vias de comunicação que o homem abriu entre os Andes é como começar a viver um livro de aventuras. Existem estradas de ferro que se dependuram pelas encostas das montanhas e que superam as maiores altitudes encontradas na Europa ocidental, superando os 4.800 metros de altitude. O mesmo acontece com as rodovias, que são poucas e geralmente precárias. Há regiões, no entanto, aonde modernos meios de transporte ainda não chegaram, obrigando o homem andino a recorrer grandes distâncias a pé, por caminhos que já eram utilizados por seus antepassados há séculos.

 

Devido às rigorosas condições climáticas que imperam no sul dos Andes - que fazem praticamente impossível os assentamentos humanos em algumas regiões - a população das montanhas se fixou no norte, nas zonas mais próximas a Linha do Equador, onde o homem se estabeleceu mediante o desenvolvimento de uma agricultura adaptada a uma atmosfera pobre em oxigênio, aos fortes raios ultravioletas que a atravessam e a intensidade do frio, tudo isso característico das elevadas altitudes.

 

Tanto o homem como os animais tiveram que vencer muitos obstáculos para viver nos Andes, o principal deles é a escassez do oxigênio. Os quechuas (legítimos descendentes dos Incas) possuem o coração de maior tamanho que um ser humano normal, o qual lhe permite oxigenar plenamente seu organismo graças a uma circulação sanguínea mais abundante.

 

As plantas e os animais andinos, por sua vez, desenvolveram seus próprios recursos de adaptação, também muito eficientes. As ichus - um capim que se encontra praticamente em toda a cordilheira - são típicas da vegetação andina, e contam com fortes raízes que lhes permitem absorver a pouca água do solo, bem como se fixar fortemente a este para resistir a força dos ventos.

 

A fauna típica dos Andes esta representada pela lhama, a alpaca, o guanaco e a vicunha, mamíferos pertencentes a família do camelo. Os dois primeiros eram já muito úteis aos homens andinos - como animais de carga e provedores de carne e lã - desde os tempos dos Incas. Estes animais são de uma grande resistência física: no Peru e na Bolívia, as lhamas do altiplano vivem em altitudes superiores a 4.000 metros. Encontram-se hoje grandes rebanhos de lhamas e alpacas, que são facilmente domesticáveis. Já a vicunha corre o perigo de extinção: é um animal arisco que vem sendo perseguido pelos caçadores devido a qualidade de sua lã, uma das melhores do mundo.

 

Pelo céu dos Andes voam aves dos mais diversos tamanhos, desde pequenos colibris até altivos condores. As mais pequenas se adaptaram a quase ausência de árvores e vivem no solo - às vezes em pequenas trepadeiras ou debaixo de pedras. Algumas convivem em grupos muito unidos, para conservar o escasso calor. Na maioria são de corpo compacto e pequeno, mas o condor chega a medir até três metros com as asas abertas, o que o deixa em condições de voar enormes distâncias e ascender a alturas de mais de 6.000 metros de altitude.

 

A imponência do condor, a misteriosa Machu Picchu, as montanhas escarpadas com suas neves eternas, são apenas alguns dos símbolos da essência da Cordilheira dos Andes, onde a natureza e o próprio homem parecem compartilhar com orgulho o que nasceu para perdurar.

 

Compreender, desvendar seus mistérios e revelar ao mundo a essência da Cordilheira dos Andes é o desafio de Waldemar Niclevicz e do seu Projeto Mundo Andino, cuja maior missão é:

 

Difundir a necessidade de um desenvolvimento sustentável

entre o homem e o meio ambiente nas montanhas da Cordilheira dos Andes.

Um Sonho Chamado K2 - A Saga de Waldemar Niclevicz na Montanha da Morte
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